Ela foi forçada a dar seu bebê durante a guerra agora reencontra a filha depois de 44 anos

Para uma mãe, não há nada mais assustador que a ideia de ficar sem um filho. Existem várias circunstâncias que levam algumas mães a abdicar dos seus filhos – mas geralmente, o motivo é mantê-los protegidos de qualquer perigo.

Durante a guerra do Vietnã, Nguyen Thi Dep tinha uma batalha diferente pela frente. Com 20 anos, teve de sustentar as suas quatro irmãs mais novas e um pai doente para evitar que caíssem na pobreza extrema.

Nguyen tinha de encontrar trabalho para manter a família viva e a salvo. “Eu só queria fazer algo para ter algum dinheiro para ajudar a minha família”, disse.

Felizmente, ela fala inglês, por isso encontrou um emprego na base do Exército dos EUA em Saigon, Vietnã do Sul, onde trabalhou como operadora de telemarketing e empregada doméstica. Lá, ela conheceu um sargento do Exército americano chamado Joe O’Neal, com quem iniciou uma relação e de quem engravidou.

No entanto, quando o Acordo de Paz de Paris foram assinados em 1973, o governo dos EUA ordenou que todos os soldados americanos voltassem para os EUA. Então, Joe então deixou Nguyen, que estava grávida de 2 meses na época.

Ela e a sua filha, Phuong Mai, eram felizes juntas há três anos, até Nguyen ouvir rumores de que as tropas comunistas estavam a localizar crianças birraciais porque as consideravam filhas de traidores.

“Eu estava com muito medo, com muitas pessoas a dizendo-me que se eu não mandasse a minha bebê para fora, eles viriam e a matariam”, conta Nguyen.

Então, teve de tomar a decisão dolorosa de deixar a sua filha num orfanato. “Quando eu a deixei lá na porta, ela disse: mamã, não vá! E eu quis tanto trazê-la de volta para casa comigo, mas se o fizesse ela seria morta mais tarde”, lembra Nguyen.

Ela sabia que a filha faria parte da Operação Babylift, na qual os EUA transportaram milhares de crianças do Vietnã para adoção, mas não fazia ideia de onde Mai exatamente iria parar.

Anos depois da tensão no Vietnã começar a diminuir, Nguyen iniciou uma busca implacável pela filha.

Ela enviou cartas para agências de adoção e até mesmo para Joe para pedir ajuda, mas as suas cartas não foram abertas.

Felizmente, um ex-patriota vietnamita que vive na Flórida, chamado Vu Le, decidiu ajudar Nguyen na sua busca de 40 anos pela filha.

“Como vietnamita, entendo quanta dor ela passou durante estes 40 anos”, disse Vu. Mal sabiam eles que Mai, agora chamada Leigh Smalls, também procurou pela mãe ao longo de todos esses anos.

Leigh foi adotada por um casal amoroso e teve uma vida bastante normal. Ela não sabia nada sobre seus pais biológicos e não achava que alguma vez os ia encontrar, mas tudo mudou depois de ver o musical “Miss Saigon”.

“Essa foi provavelmente a primeira vez que desmoronei emocionalmente sobre qualquer parte da minha história com a guerra. Foi um grande momento para mim”, lembra.

Eventualmente, Leigh conseguiu chegar à sua meia-irmã depois de fazer um teste de DNA.

Ela ficou surpresa ao receber um e-mail da meia-irmã, a informá-la que a mãe a procurava há 40 anos.

Passadas 24 horas, Nguya finalmente conseguiu falar com a sua filha Mai!

“Acho que ela queria provar que quando eu estava lá com ela, ela me amou e queria ter a certeza de que eu sabia que durante os 3 anos que passamos juntas ela me deu tudo o que podia”, disse Leigh numa entrevista.

Naturalmente, Leigh planeou uma viagem para ver a sua mãe biológica no Vietnã. “Isso preencheu-me. Eu nunca fui uma daquelas pessoas que sentiam um vazio na vida por causa da adoção, mas quando descobri a minha história, as coisas mudaram. Acho que não sabia o quanto precisava disto”, explica.

Entretanto, Leigh deu à mãe um smartphone para poderem comunicar facilmente através do Facebook, mas promete visitá-la novamente.

“Eu disse a todos na minha família que reencontrei a minha filha, e eles disseram para eu não chorar quando a visse. Eu respondi que não, que nunca mais vou chorar, estou tão feliz por tê-la encontrado”, conta Nguyen.

Fonte: Partilha

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