Indígena após vencer dificuldades e preconceito passa em 1º lugar no vestibular para a área de medicina

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Foto: Arquivo pessoal

Morador do Alto Xingu, em Mato Grosso, Dyakalo Foratu Matipu, passou em primeiro lugar no vestibular realizado na aldeia Kuikuro, para um curso de enfermagem com duração de 2 anos e 8 meses.

Furatu, popularmente conhecido como Farato, é da etnia Matipu e começou a ser alfabetizado aos 10 anos de idade.

O indígena conta que, embora sofresse muito com o preconceito, nunca desistiu dos seus objetivos. Ele queria muito ajudar seu povo e precisou fazer algumas escolhas: estudar ou continuar pescando e jogando bola com outros membros da aldeia.

O primeiro desafio, de Farato, foi na ocasião que estava aprendendo a ler e escrever e aí teve que mudar de aldeia. Isso na época atrapalhou seus estudos, mas como estava muito decidido, lia jornais e revistas que muitas vezes estavam jogados na aldeia.

A paixão pela área de medicina surgiu, quando em 2013, agentes de saúde visitaram sua comunidade, dando orientações e instruções para a população.

Embora possui-se o ensino médio e outros cursos, ainda assim, sentia que precisava capacitar-se, se quisesse ajudar seu povo.

Foto: arquivo pessoal

A oportunidade de prosseguir com os estudos surgiu, quando soube que seria realizado um vestibular com vagas voltadas para os indígenas, nas seguintes áreas: medicina, odontologia e veterinária.

“Eu soube que teria vestibular na aldeia um dia antes da prova. Pedi uma moto emprestada para um amigo e fui para a aldeia, que fica a 340 km de Canarana, cidade onde moro. A estrada é de terra e como havia chovido, tinha muita lama. Eu não conseguia me manter na moto. Caía e levantava o tempo todo. Tive que empurrar a moto por mais de 2h. Sai às 5h e cheguei na aldeia às 18h40. Assim que cheguei, mesmo sujo de lama, fiz minha inscrição para o vestibular, que estava programado para o dia seguinte, às 9h”, disse Farato.

Farato disse, que para vencer precisou superar vários obstáculos, mas muitas vezes pensou em desistir.

“Meu café da manhã era água, meu almoço era água, minha janta era água. Meu sonho era cuidar do meu povo, mas ninguém me dava oportunidade”, disse.

Que exemplo de determinação! No final de 2018, Farato se formou em enfermagem e prestou vestibular para ciências da matemática na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ficando em primeiro lugar no concurso.

Fonte: G1

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