Nessa quinta-feira, 3 de outubro, Rosalba Nable, mãe da atriz Isis Valverde, concluiu mais uma etapa desafiadora de sua luta contra o câncer de mama. Aos 60 anos, a pedagoga e bacharel em Direito, que também é escrivã aposentada, foi celebrada pelos profissionais de saúde e pelo namorado, Carlos Wanderson, no hospital onde realiza o tratamento.
Isis, mesmo à distância, fez questão de participar virtualmente e deixou uma mensagem cheia de afeto e admiração para a mãe: “Você, mãe, é uma das mulheres mais fortes que conheci! Te amo infinito e acabou essa etapa. Vamos para a próxima mais fortes do que nunca!”.
Com o fim das sessões de quimioterapia, Rosalba compartilhou suas reflexões sobre esse momento nas redes sociais. “O fim da quimioterapia é quase como abrir as janelas e encher os pulmões de ar puro. Acabou. Foi a última e espero que seja a última de toda a minha vida. Foram 8 sessões, de 15 em 15 dias. Exames de sangue dois dias antes da infusão para verificar se meu corpo estava apto para a medicação. E estava. Mesmo eu achando que não”, desabafou Rosalba em um longo post no Instagram.

Ela também fez questão de compartilhar alguns detalhes sobre o procedimento, abordando de maneira franca as dificuldades e decisões que precisou enfrentar. “Geralmente, um cateter é colocado logo abaixo da clavícula para pacientes corajosos (não sou). Em pacientes com câncer de mama do lado esquerdo (meu caso), o cateter é colocado no lado direito. É necessário um jejum de seis horas, inclusive para líquidos, antes da colocação através de um procedimento cirúrgico considerado simples. O paciente é sedado e com anestesia local o cirurgião faz uma pequena incisão no pescoço por onde coloca o cateter. Em sua maioria, é possível ir para casa no mesmo dia do procedimento”, explicou.
Contudo, a pedagoga optou por um caminho diferente. “Quando me explicaram o procedimento, entrei em pânico e decidi que não faria. Conclusão: cada escolha uma consequência. Para receber o medicamento sem o cateter, eu levava, no mínimo, uma agulhada. Cheguei a levar três em uma única vez. Mas preferia não estar com o cateter no meu corpo. Seria demais para a minha cabeça que odeia agulhas ou similares. Nos dias seguintes à quimioterapia, mais uma agulhada na barriga para ajudar com os efeitos colaterais”, revelou Rosalba, sem esconder a dificuldade de suportar esses momentos.
Ainda que tenha encerrado o ciclo de quimioterapia, Rosalba compartilhou que os efeitos colaterais continuarão por mais 15 dias: “Agora, por mais 15 dias ainda estarei sob os efeitos colaterais: boca seca, gengivas com aftas, intestino imprevisível, dermatite generalizada, estômago instável, dores de cabeça, náuseas, uma fadiga extrema e a perda dos cabelos. Mas, ironicamente, não precisei ser internada”, comentou ela com uma pitada de sarcasmo.
Rosalba também refletiu sobre a intensidade do tratamento e como ele impacta tanto o corpo quanto a mente. “Um amigo que também passou por isso me disse uma vez: ‘quimioterapia é como matar um rato com uma bomba’. A esperança é que todas as células ruins sejam eliminadas, mas as boas vão junto. É morrer para renascer. Continuei com os exercícios físicos (quando conseguia ficar de pé), bebendo muita água e dormindo o máximo que podia. Dormir era o melhor programa”, relatou, descrevendo a luta diária para manter alguma normalidade durante o tratamento.

Ela mencionou o apoio que tem recebido de outras mulheres que enfrentam ou já enfrentaram a mesma batalha: “Recebo muitas mensagens de mulheres que já passaram por isso, que estão passando agora ou que estão lidando com essa situação com mães, filhas, irmãs e amigas. Leio todas. Essas mensagens terminam sempre com desejos de cura e oração. Isso acalenta o coração e traz uma sensação, egoísta talvez, de não estar sozinha – embora, sinceramente, eu preferisse estar”, admitiu Rosalba, com uma honestidade desarmante.
A pedagoga também comentou sobre como tem sido difícil para ela encarar o diagnóstico com otimismo. “Estou ouvindo muito sobre como devemos olhar o diagnóstico de câncer com otimismo, como uma oportunidade de aprendizado ou uma chance de ser melhor. Na prática, é bem diferente”, confessou, sem hesitar em mostrar o lado mais vulnerável de sua experiência.
Rosalba concluiu o relato deixando claro que, no momento, não consegue adotar um discurso de superação. “Ainda não consigo fazer aquele depoimento lindo de superação. Não mesmo. Cada um sente sua dor à sua maneira, e eu ainda estou no meio da minha”, finalizou, mostrando que, acima de tudo, há espaço para a autenticidade e o respeito pelos próprios sentimentos nessa caminhada.
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