A história de Monique, a primeira Miúxa, carrega consigo uma profunda dor e mágoa que começou quando ela tinha apenas 7 anos. O sonho de ser paquita no “Xou da Xuxa” foi interrompido de maneira inesperada e cruel, marcando a sua infância de forma irreversível.
Uma infância interrompida
Monique lembra com tristeza o dia em que foi demitida por Marlene Mattos. Na época, ela era apenas uma criança, e como todas as outras, se encantava com os brinquedos distribuídos na ação de Natal do programa. “Eu peguei um presente pra mim. Eu era uma criança, como as outras”, disse Monique, ainda emocionada. No entanto, aquele gesto infantil foi o suficiente para mudar o rumo de sua vida.

Ela conta que, ao chegar no camarim, encontrou sua mãe discutindo com Marlene. A diretora do programa não acreditava que o presente fosse para Monique, achando que deveria ser exclusivamente para as crianças do público. Foi então que Marlene fez uma afirmação que marcou Monique para sempre: “A partir de amanhã, ela não vem mais. Do jeito que eu coloco, é do jeito que eu tiro.”
A dor de não ser vista como criança
Monique lembra que, aos 7 anos, não entendia por que havia sido punida por pegar um presente. Ela era uma criança como qualquer outra, mas foi tratada como alguém que cometeu um grande erro. A dor de não ter sido vista como uma menina, e sim como uma funcionária, fez com que Monique carregasse esse sentimento de injustiça por anos.
“Eu era uma criança que queria um brinquedo. Não estava fazendo nada de errado. Mas, naquele momento, eu fui demitida. Me tiraram dali sem nenhuma consideração”, relembra, com a voz embargada. A mágoa que Marlene deixou ao agir de forma tão severa e insensível continua viva até hoje. A diretora não permitiu que Monique tivesse o direito de ser apenas uma menina, de aproveitar os pequenos prazeres de sua infância.
A promessa não cumprida
Após o ocorrido, Monique relata que sua mãe tentou insistentemente convencer Marlene a permitir que ela voltasse ao programa. E, por um momento, parecia que o sonho não estava completamente destruído. Marlene prometeu que Monique poderia retornar como paquita, mas, com o passar dos anos, essa promessa nunca se cumpriu.
“Ela sempre me dizia que eu iria voltar, alimentando meu sonho. Mas, conforme o tempo passava, eu percebia que aquilo era uma ilusão. Marlene foi cruel ao me iludir por tanto tempo”, disse Monique, com os olhos cheios de lágrimas. O sentimento de ser enganada e de viver esperando por algo que nunca aconteceu a acompanhou durante grande parte de sua vida.

O questionamento que nunca teve resposta
Ao longo dos anos, Monique passou a se perguntar por que sua mãe não fez mais por ela naquela época. Por que não exigiu que Marlene cumprisse sua promessa? Essas perguntas ecoaram por sua mente, sem nunca encontrar uma resposta definitiva. “Eu questionei algumas vezes: ‘Mãe, por que você não cuidou de mim? Por que não exigiu dela um contrato?’”
A resposta de sua mãe foi direta, mas não aliviou a dor. “Ela me disse: ‘Monique, era o sonho de toda menina estar ali. Eu não ia cobrar uma pessoa que não gostava de ser cobrada.’”
Esse diálogo marcou profundamente Monique, que se viu dividida entre a compreensão do contexto e o ressentimento por sentir que não foi protegida da forma que precisava. A falta de um contrato formal também deixou Monique vulnerável a promessas vazias, sem qualquer garantia de que voltaria a ser paquita.
A cicatriz que o tempo não apaga
Apesar de tudo, Monique tentou seguir em frente, mas a dor de ter seu sonho interrompido ainda a acompanha. Ela revelou que, além de ter acabado com seu sonho, Marlene também deixou uma marca profunda ao rotulá-la de mentirosa. “Eu fui rotulada por anos como mentirosa, e isso me feriu tanto quanto perder o sonho de ser paquita. Aquilo que deveria ser o momento mais feliz da minha infância virou uma ferida que nunca cicatrizou.”
Monique finaliza seu relato com um misto de tristeza e desabafo, deixando claro o impacto duradouro que essa experiência teve em sua vida. “Eu costumo dizer que a Marlene foi tão cruel que, além de acabar com o meu sonho, ela me iludiu e me rotulou. Fui rotulada por anos como mentirosa, algo que carrego até hoje.”
Essa história não é apenas sobre a perda de um trabalho infantil, mas sobre a perda de uma parte importante da infância de Monique. Uma época em que ela deveria ter sido tratada como uma menina, mas foi tratada como uma adulta, marcada pela decepção e pela falta de empatia de quem deveria cuidar dela.
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